Sobre Fontes e História

              História: Novos Objetos - Jacques Le Goff e Pierre Nora

As Mentalidades


A Chamada História das mentalidades é uma modalidade historiográfica que privilegia os modos de pensar e de agir dos indivíduos de uma mesma época. Uma história centrada nas visões de mundo, na qual o historiador aproximar-se do etnólogo no estudo dos ritos, das práticas cerimoniais, crenças; Segundo Michel Vovelle o etnólogo remonta para os sistemas de valores no estudo das mediações e da relação dialética entre, de um lado, as condições objetivas da vida dos homens e, de outro, a maneira como eles a narram e como as vivem.

Segundo Jacques Le Goff, temos novas maneiras de ler a História, principalmente a social. Tudo havia sido transformado, e novamente a maneira de perceber a História se modificava metodologicamente. Para Le Goff, mentalidade vai além da história. É, inicialmente, flertar com as ciências humanas

Le Goff define que história das mentalidades obriga o historiadores a interessar-se mais de perto por alguns fenômenos essenciais de seu domínio: as heranças, das quais o estudo ensina a continuidade, as perdas, as rupturas (de onde, de quem, de quando vem esse hábito mental, essa expressão esse gesto?).

Como abordar um tema tão complexo, com alunos do fundamental e médio, fazendo com que compreendam a teoria e que não achem a temática maçante?

Desafio lançado, podemos seguir a partir da abordagem do texto As Mentalidades (inserido no fim desta página), que aborda como "gatilho" a compreensão de mentalidades a partir da era medieval. Na sociedade medieval, profundamente dominada pela religiosidade, as ideologias que marcaram o período estarem diretamente ligadas ao domínio da igreja católica. O Teocentrismo: "Deus é o centro de tudo". A vida cultural está ligada ao cristianismo. As influências vão desde as obras de arte, livros arquitetura e até mesmo na estrutura social.

A influência esta presente até mesmo no modelo econômico que caracteriza o período: o produção feudal.  Na visão da mentalidade religiosa, o excedente daquilo que se produzia para a própria subsistência deveria ser "distribuído". Assim, por exemplo, quando o servo entregava sua produção a seu senhor, estava doando seu esforço ao Senhor Deus; quando o senhor feudal doava terras ao Papa e à Igreja, também o fazia ao Senhor Deus. E ambos seriam recompensados Divinamente por isso.


Nessa sociedade seus membros objetivavam a pureza e o desapego aos bens materiais.
A vivência de nossa sociedade contemporânea esta baseada na globalização e no capitalismo. O processo de globalização que envolve hoje toda a economia vem produzindo um conjunto de fenômenos novos na economia mundial e na sociedade, bem como interferindo na vida social da humanidade.

O capitalismo é um sistema econômico em que os meios de produção e distribuição são de propriedade privada e com fins lucrativos; decisões sobre oferta, demanda, preço, distribuição e investimentos não são feitos pelo governo, os lucros são distribuídos para os proprietários que investem em empresas e os salários são pagos aos trabalhadores pelas empresas. Diferentemente do modelo anterior de mentalidade religiosa, na mentalidade capitalista você não vale pelo que é, mas sim pelos bens materiais que você tem.

 Um dos fenômenos sociais mais marcantes da sociedade consumista neste mundo globalizado, inclusive na sociedade brasileira, são as redes sociais virtuais, na qual associado a mentalidade capitalista de não somente ter, e sim, ter e exibir a outros que tem, gerou o fenômeno globalizado da ostentação. Na busca de se afirmar frente a uma sociedade consumista a qual os menos favorecidos economicamente são "marginalizados". Jovens tem se organizado e movimentado em busca de inclusão; um exemplar destes fenômenos é o chamado "rolezinho", influenciados diretamente pelo estilo musical o qual este jovens curtem o Funk Ostentação.

Podemos examinar essa vertente através do vídeo do youtube.com, uma reportagem do Jornal Gazeta.

                                                        Jornal Gazeta - Funk Ostentação

Existe para cada sociedade, para cada época que a história, distingue na sua evolução várias mentalidades, e características individualizadas em cada grupo ou sociedades, mas uma análise feita em cima de uma mentalidade dominante ou mais perceptível de ser abordada com os alunos é de crucial importância para a apreensão dos conteúdos abordados.

Contextualizar mentalidades de forma dinâmica.


  • O tema feudalismo: Como atividade complementar a visualização das estruturas sociais, econômicas e políticas, pode ser pedido aos alunos um relatório sobre o jogo Age of Empires, um console para computador que em sua jogabilidade estratégica remonta ao período Medieval.

  • Como influências da mentalidade capitalista, podemos pedir uma pesquisa que remonte os alunos para analisar as diferentes influências de culturas exteriores a realidade local  sob quaisquer aspectos: linguagem, culinária, vestimenta. Após coleta, instruir os alunos para a montagem de uma exposição numa Amostra Cultural com os dados coletados em cartazes; pedir também um texto dissertativo no qual explanem no que a pesquisa ampliou seus horizontes para a sua realidade.

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